sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012



- Uma dose de rancor. - Diz ela batendo as unhas sobre a mesa, fazendo um barulho irritante que a acalmava.
Todos no bar pararam e a fitaram, afinal quem chegaria a um bar e pediria rancor? O garçom se aproximou e sentou-se sobre a cadeira ao seu lado, e ela lentamente reconheceu seus olhos calmos. -
O que houve com você? - Disse ele passando a mão fria sobre o rosto dela.
- O amor.
- Ela hesitou e abaixou a cabeça.
- Você costumava ser a mais forte de nós dois. - Ele também hesitou.
- Bem, as coisas mudam não é mesmo? - Ela levantou o rosto e forçou um sorriso com o canto do lábio.
- Sempre esse sorriso. - Ele balançou a cabeça de um lado para o outro.
- O que vai querer?
- Vodka, tequila, cerveja, uísque e tudo que tiver ai, misturado por favor.
- Que tal uma água? - Ele se levantou e sorriu.
- Me conhece bem. - Ela riu. Ele foi ate o balcão pegar algo para beberem e lembrou que o conheceu naquele exato lugar. Eles deveriam ter uns 16 anos, mas quando seus olhos se encontraram não havia nada que os poderia separar. O bar era de seu pai, e ele trabalhava para realizar seu sonho de ser poeta, ela revisou lentamente alguns poemas dele na mente, enquanto o observava pegar duas bebidas rapidamente e voltando para a mesa.
- O que vem fazendo da vida? - Ele sentou um banco mais perto dela e a fixou um olhar, o olhar.
- Tentando me manter longe de confusões. - Eles riram pois sabiam como ela era bom em arrumar uma confusão.
- Senti sua falta. - Ele segurou sua mão e ela repuxou-a.
- Pena que não demos certo não é mesmo. - Se ela piscasse iria chorar.
- É…
- É melhor eu ir, tenho que fazer algumas coisas. - Chorar, seu pensamento gritava.
- É, tenho que voltar ao trabalho. Ela se levantou e o abraçou, segurou as lágrimas por alguns segundos, e ao virar o rosto após um adeus, caiu em lágrimas em uma rua movimentada, enquanto ele trancou-se no banheiro, para dizer baixinho a si mesmo, como foi capaz de deixa-la ir novamente.

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